Dia Internacional da Solidariedade Humana: quando o autismo deixa de ser “caso de família”

Por Caroline Chromiec
Instituto TEAproxima

Solidariedade virou palavra repetida. Campanhas, datas comemorativas, postagens bonitas.
Mas, para a comunidade TEA, solidariedade não é enfeite de discurso, é estrutura de vida.

Para nós, ela começa exatamente no ponto em que o autismo deixa de ser visto como “problema daquela família” e passa a ser reconhecido como compromisso de todos: escola, saúde, empresas, poder público, vizinhança, sociedade.

Quando a solidariedade sai do discurso e entra na prática

Solidariedade acontece, na vida real, quando:

  • uma escola revê rotina, regimento e jeito de funcionar para acolher estudantes autistas, em vez de dizer “aqui não dá pra ele/ela”;
  • um profissional estuda além do mínimo, ajusta linguagem, tempo e estratégias, em vez de colocar todo o peso nas costas da mãe;
  • uma empresa leva neurodiversidade a sério, abre vagas, adapta processos e cria condições reais para que pessoas autistas façam parte do time, não só da foto da campanha.
Solidariedade, nesse sentido, não é “ser bonzinho”.
É assumir corresponsabilidade.

O olhar do Instituto TEAproxima

No Instituto TEAproxima, aprendemos com famílias, pessoas autistas e profissionais que:

solidariedade é rede.

Rede que ampara na crise.
Rede que orienta na dúvida.
Rede que compartilha conhecimento.
Rede que segura a mão quando o mundo diz “vocês que lutem”.

Nossa missão é aproximar, conectar e transformar, para que famílias atípicas não caminhem sozinhas, nem nas urgências, nem nas conquistas.

Quando falamos de solidariedade humana, estamos falando disso:
de sistemas que se colocam à disposição, de pessoas que se movem, de instituições que se responsabilizam.

Uma pergunta que não pode ficar sem resposta

No Dia Internacional da Solidariedade Humana, o nosso convite é direto, quase um espelho:

De que lado da solidariedade você quer estar:
do discurso ou da prática?

Porque, para a comunidade TEA, a diferença entre um e outro não é teórica.
Ela aparece na matrícula aceita ou negada,
no atendimento acolhedor ou violento,
na porta que se abre ou permanece fechada.

Que possamos, juntos, fazer da solidariedade mais do que um sentimento bonito:
que ela seja a forma como escolhemos organizar o mundo ao redor das pessoas autistas e de suas famílias.

 

Instituto TEAproxima
Onde a diferença é potência, e a solidariedade, compromisso.

 

 

— Caroline Chromiec
Jornalista, fotógrafa e estrategista de Comunicação Integrada do Instituto TEAproxima. Mãe atípica.