Por Caroline Chromiec, Instituto TEAproxima
No Paraná, 30 de março passa a ser reconhecido como o Dia Estadual da Neurodiversidade. A criação da data é mais do que um marco simbólico: é um chamado para que a sociedade olhe, com seriedade, para a diversidade de funcionamentos neurológicos, e para as barreiras que ainda empurram pessoas neurodivergentes para a margem.
Neurodiversidade é o nome dado à ampla variedade de padrões de funcionamento do cérebro humano. É uma perspectiva que reconhece manifestações atípicas, como as relacionadas ao autismo e à dislexia, como parte da diversidade humana, e não como um “erro” a ser escondido.
Quando a gente fala em neurodiversidade, a gente não está falando de rótulos. Está falando de vida cotidiana.
Na prática, o que define se a neurodiversidade será respeitada ou apenas “tolerada” não é o discurso. É o ambiente. Uma criança autista pode ser brilhante e, ainda assim, sofrer todos os dias se a escola não tiver previsibilidade, comunicação concreta e apoios claros. Uma adolescente pode aprender melhor quando tem pausa, mediação e segurança emocional, e pode adoecer quando tudo vira cobrança e punição. Uma pessoa adulta pode ter competência técnica excelente e ser descartada porque o processo seletivo mede carisma, não habilidade.
A diferença não é o problema. O problema é a falta de apoio.
Por isso, para o Instituto TEAproxima, neurodiversidade não é um tema para “comemorar” e seguir a vida. É um tema para organizar responsabilidades. O autismo, por exemplo, não pode continuar sendo tratado como “assunto da família”. É compromisso coletivo: saúde, educação, cultura, empresas, políticas públicas e comunidade.
E aqui entra uma ideia que precisa ser repetida até virar prática: autonomia não é deixar alguém sozinho. Autonomia é ampliar possibilidades com dignidade, com proteção e com apoio, no tempo e na medida de cada pessoa.
Autonomia se constrói com apoio. E apoio se constrói com rede.
Neste Dia Estadual da Neurodiversidade, o convite do Instituto TEAproxima é direto: transforme a data em ação. Revise rotinas, protocolos e condutas. Pergunte quem está ficando de fora. E escolha ser parte de uma sociedade em que pessoas neurodivergentes possam estudar, trabalhar, circular, existir, sem precisar se apagar para caber.
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Instituto TEAproxima
Aproximar. Conectar. Transformar.
Referências
PARANÁ. Lei nº 22.891, de 10 de dezembro de 2025. Institui o Dia Estadual da Neurodiversidade e dá outras providências.
Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Menção ao PL 476/2025 que cria o Dia Estadual da Neurodiversidade em 30 de março.
Academia Brasileira de Letras. Verbete “neurodiversidade” (definição e origem do termo).
— Caroline Chromiec
Jornalista, fotógrafa e estrategista de Comunicação Integrada do Instituto TEAproxima. Mãe atípica.