Por Caroline Chromiec
Instituto TEAproxima
“A inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) começa pelo entendimento de que este não é um transtorno único ou igualitário para todos… Adaptar não significa facilitar, mas assegurar acesso ao currículo e condições reais de participação e progresso… Em resumo: incluir não é apenas aceitar a matrícula, mas garantir que cada criança aprenda, participe e se desenvolva plenamente. — Raphaela Lacerda
Inclusão não é gentileza institucional. É decisão pedagógica que muda rotina, tom de voz, luz de sala, avaliação e o que entendemos por “aprender”. Enquanto tratarmos matrícula como sinônimo de inclusão, seguiremos confundindo presença com participação.
O erro de origem
Quando a escola olha primeiro para o diagnóstico e só depois para a criança, perde o essencial: ninguém aprende num rótulo. O TEA é espectro — forças, interesses e necessidades diferentes. A pergunta honesta não é “tem laudo?”, mas: o que permite que esta criança participe hoje?
“Adaptar não é facilitar; é garantir acesso ao currículo e condições reais de participação e progresso.” — Raphaela Lacerda
Três trocas de mentalidade
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De intenção para compromisso verificável. Apoio bom aparece e pode ser medido.
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De exceção para desenho do cotidiano. Inclusão se planeja antes da campainha.
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De discurso para linguagem concreta. Menos metáforas, mais clareza: “agora fazemos X; depois Y”.
Quando “adaptar” é ensinar melhor
Ensinar de outro jeito não rebaixa objetivo; amplia acesso. Sequência visual de três passos torna o caminho visível. Pausa programada previne colapso e preserva aprendizagem. Colega-tutor não faz por, faz com.
O que a escola deve a cada criança
Um pacto, não uma lista infinita: previsibilidade, comunicação acessível, condições sensoriais possíveis, avaliação que capture competência e coragem de revisar o que não funciona.
“Incluir não é apenas aceitar a matrícula; é garantir que cada criança aprenda, participe e se desenvolva plenamente.” — Raphaela Lacerda
O incômodo necessário
A maior barreira talvez seja afetiva e epistemológica: abandonar o aluno ideal e trabalhar com o aluno real. Mudar práticas dá trabalho; manter as mesmas e chamar de inclusão é estelionato pedagógico.
Depois da campainha, a pergunta que importa: esta criança aprendeu algo que aumente autonomia, comunicação e pertencimento? Se não, não houve inclusão, houve presença administrada.
Inclusão com responsabilidade não é slogan: é o cuidado certo, no lugar certo, na hora certa — todos os dias.
Quem é Raphaela Lacerda
Parceira do Instituto TEAproxima, Raphaela Lacerda já conduziu treinamento de professores em escola de inglês, somando sua experiência à nossa equipe. Sua presença e conhecimento têm sido decisivos para transformar discurso em prática. Está concluindo a Especialização em Transtorno do Espectro Autista pelo Instituto Casagrande; é Especialista em Educação Especial (Faculdade Padre João Bagozzi), Especialista em Magistério Superior e em Pedagogia Empresarial (IBPEX), e graduada em Pedagogia pela UTP. É professora desde 2004 (Docência I, Prefeitura de Curitiba); em 2019, atuou como Pedagoga Referência no Departamento de Inclusão e AEE (DIAEE) da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Núcleo Regional do Pinheirinho; de 2020 a 2024, foi Pedagoga responsável pelas Classes Especiais no DIAEE; desde 2025, atua no Departamento de Planejamento e Informação (DPEI). Sua trajetória comprova o foco em educação inclusiva e implementação concreta no chão da escola.